Wednesday, July 24, 2013

Não é fumikomi, mas “O Fumikomi” - faz uma grande diferença!


Fumikomi, fumikomi, fumikomi... uma das coisas mais difíceis no kendo. Como já sabem, sou muito novata, por isso, para mim, tudo é difícil, mas, neste momento, o fumikomi é a coisa mais difícil que estou a “aprender” no kendo. Quando olho para os meus colegas eu acho o fumikomi deles muito bonito. É um movimento tão elegante, tão poderoso e preciso. Mas quando eu tento, bem... Eu continuo a tentar porque o meu fumikomi é uma desgraça. Esta é a minha principal dificuldade no kendo, mas eu acho que já foi pior.

Uma das coisas que mais me intriga é o facto de eu saber a teoria toda sobre o fumikomi. Eu sei o que é e como devo fazer passo a passo mas, quando estou a fazer, nunca sai como devia... Eu acredito, e ouço isto de muitos kendoka, que o fumikomi é algo difícil de aprender e que muitas pessoas têm dificuldades com ele durante muito tempo. Por isso, decidi escrever este post baseado em coisas que eu descobri e que li sobre o assunto acreditando que podia ajudar aqueles que, ao contrário de mim, têm uma boa capacidade de aplicar a teoria à prática ;).

O que é o fumikomi?


É uma forma de alcançar o nosso adversário num único passo executando uma espécie de salto/impulso para a frente. Fazendo isto, o pé da frente bate no chão fazendo o barulho de uma pancada.

Parece fácil! (Inocência) Como é que se faz?


Aqui estão algumas dicas que eu retirei dos livros e que me foram dadas pelo meus sensei e senpai:

  • -Evitar levantar o pé direito demasiado alto. Levantar apenas o suficiente para o tirar do chão.
  • Não bater no chão com o calcanhar. Enquanto nos movemos para a frente, o nosso pé direito deve estar paralelo ao chão e devemos avançar com o joelho, não apenas com o pé.
  • Não tentar fazer um grande barulho ao bater com o pé no chão. O objectivo deste movimento é alcançar o adversário com apenas um passo. Esta dica é muito útil porque eu comecei a notar alguma melhoria no meu fumikomi desde que os meus colegas me explicaram isto. Sabendo o objectivo do fumikomi, evitamos apenas bater com força no chão o que é um erro frequente (que eu também estava a cometer).
  • Esqueçam os vossos braços! - isto é algo que o meu senpai está sempre a gritar. Ele diz que, se eu estiver a pensar em sincronizar os meus braços com o bater do pé não conseguirei fazê-lo bem. Ele também diz que eu devería concentrar-me apenas no pé e esquecer os braços pois a tendência natural é que, quando eu bater com o pé no chão, os braços atacam ao mesmo tempo.
  • Não se dobrem para a frente. É verdade que nós queremos atacar para a frente, mas devê-mos fazê-lo direitos. Na verdade, se nos dobrarmos estaremos a colocar a nossa energia na parte superior do corpo. No entanto, para fazer um fumikomi, devemos colocar a nossa força nas nossas ancas e na perna esquerda, pois esta é a perna que empurra o corpo em direcção ao adversário, não são os nossos braços. Por isso, mais uma vez, esqueçam os braços!
  • Não pensar demasiado. Uma das coisas que o meu sensei me disse é que, saber a teoria é importante e útil mas não devemos pensar demais nela. Ele disse que, às vezes, é mais fácil aprender por observação dos outros e repetir os mesmos movimentos muitas vezes. Na verdade, é como se estivéssemos a copiar os seus movimentos. Assim, no fumikomi, é melhor não ficar obcecado com todos estes procedimentos e, em vez disso, apenas observar os vossos colegas mais experientes e tentar fazer igual a eles.


Sumarizando, para conseguir fazer um bom fumikomi, devemos:
  • Manter o pé esquerdo direito enquanto movemos o joelho direito para a frente mantendo o pé paralelo ao chão.
  • Manter as costas direitas e concentrar a força na parte inferior do corpo (ancas e perna esquerda) para dar o impulso.
  • Lembrar-nos de que estamos a tentar alcançar o nosso adversário. Fazê-lo de forma tão natural e despreocupada quanto possível :).

Bem... eu vou continuar com o meu treino de fumikomi. Espero que tenham uma óptima semana e treinem muito!

*Imagens retiradas da internet.

Do para mulheres ou do tradicional?


Quando escolhemos um bogu, provavelmente, prestamos mais atenção ao men e aos kote do que aos outros componentes desta armadura japonesa. Isto acontece porque nos preocupamos com a durabilidade e com o grau de protecção que as peças oferecem sobretudo à cabeça e aos pulsos/braços. Ainda assim, muitas mulheres kendoka preocupam-se com o tipo de do que devem comprar. E porquê? Porque nós temos mamas (sim eu digo mamas e não peito ou seios porque os médicos também dizem cancro da mama e não cancro do seio :))...

Esquema de um "do" de kendo.


Como muitos de nós já sabem, o do é o componente do bogu que protege o abdómen e o peito. O dodai (ver foto acima) é um constituinte do Do que, tradicionalmente é feito em bambu, mas, nas versões mais económicas é encontrado em materiais sintéticos. Também existem muitos tipos de acabamento (mas falarei sobre isso noutro post). Contudo, no que concerne ao desenho/forma do do, não existem muitas diferenças entre eles. Na verdade, os do são originalmente desenhados para o corpo masculino (tal como quase todo o equipamento de kendo) o que faz com que algumas mulheres tenham dificuldade em encontrar algo que realmente proteja a área dos seios (vá! :)).

Eu sei que existem riscos no kendo, como em qualquer outra activiade física. Mas a função do bogu é proteger-nos e eu sei que muitas mulhres kendoka têm esta preocupação: “E se eu for atingida nos seios?”. Isto pode nem ser um problema para mulheres que têm peitos pequenos. Mas, neste caso esfecífico: quanto maior os seios, maior o problema!
Assim, ao pensar nisto, decidi escrever este post na esperança de que o mesmo fosse útil para as mulheres!

"Do" Normal X "Do" para mulher.


Acima, podem ver: a foto da esquerda, que mostra um do normal; e a foto da direita, que mostra um do especialmente desenhado para mulheres. Como poderão constatar, a maior diferença entre eles é a parte lateral do mune (ver esquema em cima), caracterizada por ser mais alta no do feminino, oferecendo melhor protecção ao peito. Vejamos os prós e contras deste tipo de do.

Prós:
  • Esta constitui, sem dúvida, uma excelente opção para a protecção dos seios que tendem a ficar expostos na parte lateral dos modelos tradicionais.

Contras:
  • Para mim, o maior contra é o preço (no entanto, este não é um problema para todas as pessoas).
  • Acessibilidade - não é fácil, especialmente se viverem num país europeu, ter acesso a este tipo de do. Apenas o encontrei em lojas online.
  • Por ter um design diferente, algumas mulheres não se sentem confortáveis com ele e receiam atrair muitas atenções.

Em relação ao do tradicional, existem várias formas de superar o problema:

  • Dizer “não” ao Soutien!



Eu sei, eu sei! Vocês estão chocadas ou intrigadas com esta aparente solução. Como algumas de vocês devem saber (e outras, como eu, descobriram isto recentemente), a tradição manda que não se use nada por baixo do uniforme de kendo (isso mesmo: nem cuecas, nem soutien, nada). Eu não conheço pessoalmente nenhuma mulher que não use cuecas por baixo do hakama mas, em relação ao soutien, conheço algumas que não o usam. Elas dizem que, por causa disso, o peito fica um pouco mais baixo (não vou dizer descaído porque fica apenas na sua posição natural que é mais baixa do que com soutien) e é melhor abrangido pelo do. É importante referir que os seios destas meninas têm um tamanho médio. Para mim, esta opção é desconfortável mas, para outras mulheres resulta.

  • Usar um soutien de desporte mesmo bom!


Já vi de tudo! Mulheres que usam dois soutien para que os peitos permaneçam firmes e contidos (dando-lhes a sensação de maior protecção); mulheres que usam um soutien almofadado debaixo de um top de desporto bem justinho (sentindo de a almofada do soutien oferece protecção adicional); ou mulheres que apenas usam um bom soutien de desporto que acaba por achatar um pouco o peito. Estas são algumas opções razoáveis que não impedem a exposição dos seios na parte lateral do do mas oferecem protecção adicional.

  • Usar o do mais elevado

Isto e um bom soutien de desporto é a técnica que eu utilizo. Consiste em atar os himo (himo são os fios/fitas utilizadas para atar o men, do e tare) de forma a que o do fique um pouco mais alto cobrindo mais peito. Os meus seios não são enormes. São médios-grandes e, fazendo isto, consigo protegê-los de forma mais eficiente sem gastar dinheiro.

Para as meninas/mulheres que estão a pensar comprar um bogu/do, tenham atenção às opções de medida que o vendedor oferece. Nem todos pedem a medida das ancas. No entanto, as mulheres têm a cintura mais fina e as ancas mais largas que os homens. Assim, se o do apenas compreende a medida da cintura, as ancas podem ficar um pouco apertadas pela parte inferior do do, o que é desconfortável.

Espero que este post tenha sido útil. Se conhecerem outras dicas, por favor, digam-me ;).

Kissus e continuem a treinar!

* Imagens retiradas da inernet.

Comprar um bogu - o meu primeiro!


Comprar um bogu não é uma tarefa fácil... de todo! E, quando se é uma “noob” como eu, a missão complica-se. Mas eu tinha que o fazer, por vários motivos, tais como: o preço de aluguer de bogu no meu clube é estupidamente caro o que o torna uma opção nada vantajosa; experimentei três tipos de bogu e percebi as diferenças entre eles, o que me levou a decidir comprar o meu próprio, com as características que mais aprecio; e eu sou muito pequena pelo que ter um bogu feito à medida é muito melhor do que aquele que uso agora (que é grande demais, mas não havia outro). Existem outras razões menos importantes (mas não vou aborrecer-vos com isso ;)).

Sendo assim, como é que eu escolhi o meu bogu?
No mês passado, tive a oportunidade de experimentar três tipos:
  • Um de 6 mm (o que estou a alugar);
  • Um de 3 mm;
  • E um de 2 mm.

Tanto quanto sei (o tanto quanto os proprietários me souberam dizer), eles eram compostos de diferentes materiais sendo o Bogu de 6mm, o que apresentava o fabrico mais fraco. Isto faz uma grande diferença uma vez que a distância entre costuras não é o único factor a considerar quando se escolhe um bogu (tal como aprendi).

Posso dizer que senti grandes diferenças entre eles:

  • O bogu de 6mm é muito macio/fofo mas não absorve o impacto dos ataques de forma tão eficaz como parece. Eu sei que isto é controverso, mas foi o que senti. Este bogu não é novo e pertence ao clube (já deve ter sofrido bastante). Sei que foi um set bastante económico e acredito que isso tenha tido alguma influência na sua actual condição (parece muito gasto). Também é mais pesado do que o bogu de 3mm que experimentei.
  • O bogu de 3mm que experimentei foi uma agradável surpresa. Não sei porquê mas deu-me uma sensação de leveza quando comparado ao anterior. O proprietário disse que o comprou há 7 meses (por isso, podemos dizer que este é um bogu novo?). Em relação ao poder de absorção do impacto não notei nenhuma diferença entre este e o anterior (de 6mm) excepto nos kote. Os kote de 3mm, sem dúvida, absorveram melhor a batida e o impacto não se sentia tanto. Não posso dizer nada sobre a qualidade dos materiais e de fabrico porque este set, ao contrário dos outros, era novo. Assim, as maiores diferenças que constatei foram o peso (mais leve) e menos dôr ao receber kote.
  • O bogu de 2mm, bem... Eu não desgostei dele, mas não me pareceu aquela coisa incrível que eu esperava. Não sei; demasiada expectativa, talvez? A verdade é que este bogu (com dois anos de utilização) pareceu-me apenas um pouco melhor do que o de 6mm, no que se refere ao poder de absorção dos impactos. Posso afirmar, com certeza, que senti os impactos dos kote com mais intensidade do que relativamente ao de 3mm. No que concerne ao men, pareceu-me que este set protege tanto como o de 3mm (não se sente grande coisa). Mas algo que adorei neste set foi o peso do men. Era bem mais leve do que os outros o que se deve, de acordo com o proprietário, ao material utilizado no mengane (IBB Duralumin em vez do tradicional). Eu senti que ele era bem mais leve, mas o dono disse que ele não era assim tão mais leve e que o que eu estava a sentir resultava da melhor distribuição do peso que este tipo de mengane proporciona.

Concluindo... Li bastante sobre o assunto (fiz muita pesquisa e irei postar sobre isso mais adiante), usei diferentes tipos de bogu e decidi o que queria. Assim, encomendei um bogu de 3mm em Orizashi (um tipo de algodão de que falarei mais tarde) com mengane em IBB Duralumin. Este bogu é feito à medida para o meu pequeno corpo, por isso, terei que esperar algum tempo... Mas, assim que ele chegaar, farei um post com fotos e uma revisão, ok?

Tenham um bom fim de semana :)

1º post


Tenho muito a dizer e pensei muito sobre o que iria escrever no meu primeiro tópico. Não é minha intenção começar este blog com o tema “Ser uma mulher no Kendo”, ou algo desse tipo, porque não quero transformar este site num espaço de segregação entre kendocas mulheres e homens. Para mim, enquanto praticamos Kendo, estamos todos no mesmo barco. Todos nos esforçamos por melhorar continuamente. É óbvio que existem diferenças entre homens e mulheres, tal como existem diferenças em homens e entre mulheres. Todos os seres humanos são únicos.

Assim, decidi escrever o meu primeiro tópico sobre as coisas que tenho vindo a aprender lentamente com o Kendo. 
Como é que eu encontrei o Kendo? Um dos meus senpai costuma dizer que foi o Kendo que me encontrou. Para dizer a verdade, eu sempre gostei da cultura asiática, em particular, da cultura japonesa, mas o Kendo era completamente desconhecido por mim. Nunca fui uma pessoa atlética e tenho alguns “problemas” de saúde. O meu médico aconselhou-me a tentar o Yoga ou o Tai Chi e, apesar de não ter desgostado da ideia, esta não me cativou a atenção suficiente... Por isso, decidi procurar por algo que sempre me intrigou no google. Lembro-me de ter feito uma busca com as palavras: “Martial arts with weapons” (pesquisei em inglês porque resido fora do meu país) e do primeiro resultado ter sido um likn para a página do clube de Kendo mais próximo (que, por acaso, é bem longe da minha casa). Decidi experimentar uma aula e fiquei, imediatamente, fascinada com o rigor, a disciplina e a constante busca pela perfeição que o Kendo exige. Naquele momento, pensei: “Isto é algo que consigo fazer para o resto da minha vida; é algo pelo qual estou disposta a sacrificar-me”. E foi assim que comecei a aprender Kendo. (Lamento se vos desapontei, mas não existe romance nenhum inerente aos meus motivos para praticar Kendo - toda a paixão que sinto neste momento por esta arte resultou, apenas, da experiência que a mesma me tem proporcionado.)

Mas, e como é que isto tem afectado a minha vida até agora? Bem, eu posso dizer que sou um pouco ansiosa e perfeccionista. Assim, às vezes sinto-me frustrada quando me apercebo que não posso alcançar resultados excelentes de forma rápida em determinadas tarefas. Contudo, esta característica tem atenuado desde que comecei a fazer Kendo. Dou por mim, todos os dias, a pensar no longo caminho que terei que percorrer e fico surpreendida pelo facto de isto já não me incomodar (acho que estou a tornar-me mais paciente :)). É por isto que o Kendo é um estilo de vida e não um desporto - é uma aprendizagem e um aperfeiçoamente constantes de mim própria como kendoka e como pessoa. Todos os dias eu me lembro de que há imensas coisas para aprender. Devido a isto, estou a aprender a lidar com a frustração, com o stress e com a pressão. Já não pretende ser perfeita - a perfeição não existe. Agora, apenas procuro aperfeiçoar-me um bocadinho todos os dias. E pronto! E eu adoro o quão simples isto é (apesar de ser difícil).

Cada treino é uma mistura de satisfação e frustração. Isto está constantemente a acontecer e acaba por me levar a aceitar que as coisas nem sempre são como gostaríamos. Mas, percebo também que, se desistir, então, as coisas nem sequer se aproximaram do que gostaríamos. Isto ensina-me que o que realmente importa é não desistir. Jamais!
Sinto que estou, progressivamente, a tornar-me mais tolerante e motivada e menos ansiosa. Sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer, mas chegarei lá. De uma coisa tenho a certeza: com a prática de Kendo, ganhei um sorriso novo. Um sorriso mais forte e confiante. Um sorriso capaz de aceitar novos desafios!

Eu sei que sou muito “noob” nesta coisa do Kendo! Na verdade, quem sou eu para falar sobre Kendo? Mas isto é a forma como o vejo agora.

Olá a todos!


Decidi criar este blog para partilhar com os outros a forma como o Kendo está a mudar a minha vida. Descobri esta fantástica arte japonesa há cerca de 6 meses e, desde aí, tem sido uma aprendizagem constante. Ainda não tenho o meu próprio Bogu mas, em breve, vou ter :). Também espero poder ajudar outras mulheres Kendoka a superar alguns desafios que tenho encontrado. Acredito que todas podemos aprender umas com as outras, mas homens Kendoka também são muito bem-vindos!